Insônia e escrita andam juntas? No meu caso, elas se adoram. Velha conhecida essa insonia, uma grande amiga, daquelas com quem a gente se irrita sempre, mas acaba mantendo a amizade... Só por que falei para um amigo que tinha sumido do blog, acabei vindo aqui e mexendo nele inteiro. Por conta desses reajustes, acabei revendo alguns dos posts mais recentes... Um pouco estranho perceber que meu estado de espírito a muito pouco tempo era tão pesado e um tanto quanto instável. Hoje, como as coisas estão mais no lugar, consigo perceber o quão tenso eu estava no ano passado. Espero que esse ano de 2011 seja o ano de recolocar as coisas em algum tipo de equilíbrio! Eu, libriano, que prezo tanto o equilíbrio e nunca consigo de fato alcançá-lo...
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Esse ano, bem nos primeiros dias, alguma coisa "clicou" de volta ao seu lugar. Algo que tinha saído de rumo lá em 2005 mais ou menos, uma fase um tanto quanto conturbada da minha vida. Que as coisas demorem tanto a se aprumar, sempre me espanta. Será que sou eu, que tenho essa velocidade tão peculiar de trabalhar as minhas questões? Ou será que as coisas realmente não tinham como ser diferentes?
Primeiro post de 2011... Uma pena eu ter tão pouca inspiração para postar no blog, afinal esse espaço já me deu tanta alegria inesperada, tanta coisa legal já emergiu daqui! Coisas que jamais sonharia que pudessem acontecer. Já desabafei, já criei, já experimentei, até encontrei sonhos de romances delicados, quase impossíveis... A vida continua, e a todo vapor. O trabalho, ainda que eu o ame, me consome. Estou escrevendo mais do que nunca, e ainda assim me faz falta escrever aqui. Meu sonho de infância, de ser escritor, não ficou tão distante da realidade, mas parece que há vários abismos entre o que eu sou hoje e as coisas que sonhei para mim. Não estou reclamando (ainda que eu adore reclamar). É mais uma constatação. Não estou nada infeliz comigo mesmo, mas é interessante notar o quão diferente é a estrada de fato percorrida, quando comparada com as coisas que você sonhava aos 15 anos de idade. Algumas novidades no blog, graças ao Blogger: coloquei uma barra de pesquisa, e coloquei um gadget que mostra os posts mais populares (isso também foi engraçado: os mais vistos não são nada daquilo que imaginei). Abaixo de cada post, coloquei aqueles botões de share: para colocar no Facebook e outros lugares interessantes. No final da página coloquei o clássico contador de acessos. No mais, o blog continua como sempre. Feliz 2011 aos exíguos leitores que me restam... Amo vocês, quem quer que sejam!
Uma das coisas que sempre me deu uma sensação de segurança a respeito de quem eu era, ou seja, de que eu era eu mesmo, e não outra coisa, e não uma massa desconexa vagando pelo universo, era um pequeno conjunto de certezas que eu carregava (carrego?) comigo desde muito cedo, desde a infância. Não me pergunte desde quando: não tenho boa memória, e algumas dessas certezas emanaram de mim em tempos imemoriais. Quem sabe afinal o que acontece com a nossa cabeça aos 2, 3 anos de idade? Memórias esparsas... Bom, desde que me entendo por gente, um pouco mais adulto, lá pelos 17, venho perdendo muitas dessas certezas. Algumas eu deixei que caíssem da minha mão, pois me tolhiam. Essas, uma vez que sumiam, davam lugar a outras, mais duras e sólidas ainda. Com o passar dos anos, algumas das minhas certezas mais ferrenhas foram se despedaçando. Isso sempre me surpreendeu: a capacidade de coisas aparentemente muito sólidas de se desmancharem com o tempo. Nesse movimento, uma das poucas coisas que permanecem constantes é a incerteza. Mas tenha calma, amigável leitor: não estou aqui fazendo mais uma crônica da meia idade, na qual conseguimos lidar com a incerteza e deixar a vida fluir. Quisera eu conseguir deixar a vida fluir! E quanta pretensão...! A vida flui, independente da minha vontade. Como uma correnteza. Talvez como uma enchente, que periodicamente destrói aquelas casinhas, praças, ruas e outras coisas que construimos para dar sentido ao nosso mundo. Há uma dor associada com isso, como não é difícil de se imaginar. E talvez a coisa boa disso tudo (olha eu tentando construir mais uma casinha ali, no meio do caos) é a possibilidade de recomeçar, que constantemente se coloca. Nunca tive medo de recomeçar do zero, acho eu, e espero não perder essa coragem, mesmo com o peso do tempo.
Caros (exímios) leitores: Isso é só um recado: eu não morri! Faz muito tempo que não escrevo, mas por excelentes razões. Minha vida mudou muito ultimamente, questões pendentes a anos estão se resolvendo, muita coisa boa aconteceu em dezembro de 2009 e minha vida caminha para uma fase áurea que eu nem imaginava ser possível. Estou explorando mais minha felicidade e deixando fluir esse potencial; estou começando uma jornada de auto-conhecimento, dessa vez com ajuda; estou experimentando uma paz interior inédita. Enfim, tudo isso, mais o trabalho, deixou-se sem nenhum tempo ou inspiração para escrever. Novos leitores apareceram, infelizmente nessa fase esquisita. Mas o fato de que continuo fazendo amigos aqui é um sinal de que a missão desse blog está longe de terminar. Não sei o que essa fase guarda para o blog, mas certamente haverá coisas a escrever. No momento, estou curtindo um resto de (semi)férias que também me deixa sem inspiração... Talvez a ausência de conflitos esvazie minhas energias criativas? Ou talvez elas estejam todas canalizadas para minha escrita acadêmica. Não interessa: venho só dizer que sim, 2010 será o melhor ano da minha vida, e espero compartilhar isso aqui com vocês de alguma forma!
Essa guerra recente entre empresas de comunicação é um sinal extremamente positivo do nosso amadurecimento democrático,e poderá ajudar a nossa muito incipiente cultura de liberdade de imprensa. Resta saber se, culturalmente e institucionalmente, o Brasil está preparado para esse choque de liberdade. Democracia é, por definição, uma institucionalização de conflitos como esse. Ou seja, através de conflitos entre grupos, ganham todos com regras mais claras, fiscalização mútua e imparcialidade. A liberdade de imprensa, assim, serve exatamente para que lados opostos tenham a chance de expor suas opiniões e que a melhor, no final, saia vencedora por comparação, por mérito. No Brasil, o conflito e a liberdade de imprensa ainda são vistos como "crise", "instabilidade" e "crise de governabilidade". Nossa cultura é fundamentada no consenso e no entendimento de líderes, sendo episódios de conflito aberto ou de competição livre meras encenações (como, por exemplo, votações no congresso que são sempre combinadas antes entre os partidos). Ainda estamos repletos de ranços institucionais da ditadura de 1964-1985 (deputados suplentes, falta de transparência, etc.). A atual crise do congresso (que se arrasta há décadas, sendo somente agora explorada pela mídia) e as crises na imprensa aparentam estar todas relacionadas à luta de poder do ano que vem, quando teremos a histórica eleição sem Lula, sem salvador da pátria, sem mocinhos e bandidos definidos de antemão. Como discuti nesse blog anteriormente, a eleição de Lula significou, a meu ver, uma chance de se experimentar a luta aberta pelo poder, algo ainda inédito na nossa jovem república. Agora estamos aprofundando esse conflito, e estamos sendo expostos às entranhas do poder tal qual ele é exercido de fato. Se vamos antingir alguma medida de democracia política real, será preciso atravessar essa turbulência e amadurecer nossas instituições. Ainda não aprendemos a colocar bandidos na cadeia (com exceção do proverbial ladrão de galinhas), nem a punir pessoas corruptas. Quando isso começar a acontecer, e quando nos acostumarmos com o revezamento de grupos como parte fundamental da democracia, aí sim poderemos alcançar melhorias mais significativas. Reproduzo abaixo um pouco do debate entre Globo e Record.