Recentemente, tive um encontro muito próximo com um universo que me assusta profundamente: a perda da razão, do contato com o real. Não aconteceu comigo, mas com pessoas muito próximas de mim, e confesso que fiquei angustiado e profundamente abalado pela experiência. Sentir de perto esses eventos me fez pensar muito sobre o que nos amarra a um real, uma realidade (a banalidade como no post anterior), aquelas coisinhas que de tão naturais não pensamos muito a respeito: acordar, ir ao trabalho, lidar com gente chata, pegar ônibus, ver TV, dialogar com alguém. Enfim, a vida dita "normal". Como consegui articular depois de pensar muito, eu mesmo sou quase que amarrado, acorrentado à realidade; tenho dificuldades em me soltar, fantasiar, me deixar levar pelo acaso ou pelo inesperado. E quando a pessoa perde essas amarras, e não consegue voltar? Ao mesmo tempo em que me deu muita angústia pensar nessas eventualidades, pensei muito também sobre as minhas amarras psíquicas, que por um lado me seguram, e por outro também.
Especulações livres
1 de jun. de 2012
Des-razão
Recentemente, tive um encontro muito próximo com um universo que me assusta profundamente: a perda da razão, do contato com o real. Não aconteceu comigo, mas com pessoas muito próximas de mim, e confesso que fiquei angustiado e profundamente abalado pela experiência. Sentir de perto esses eventos me fez pensar muito sobre o que nos amarra a um real, uma realidade (a banalidade como no post anterior), aquelas coisinhas que de tão naturais não pensamos muito a respeito: acordar, ir ao trabalho, lidar com gente chata, pegar ônibus, ver TV, dialogar com alguém. Enfim, a vida dita "normal". Como consegui articular depois de pensar muito, eu mesmo sou quase que amarrado, acorrentado à realidade; tenho dificuldades em me soltar, fantasiar, me deixar levar pelo acaso ou pelo inesperado. E quando a pessoa perde essas amarras, e não consegue voltar? Ao mesmo tempo em que me deu muita angústia pensar nessas eventualidades, pensei muito também sobre as minhas amarras psíquicas, que por um lado me seguram, e por outro também.
16 de ago. de 2011
Sou apenas mais um...
...e é um saco! Beijo, sinto desejo, paixão... e depois não vira. Estou tendo que engolir um fato que, de tão banal, tantas vezes passa batido. Não sou tão especial assim! Se o outro não quer, não é nada demais; é só o jeito que a vida funciona. E enfim, a vida é um fluxo contínuo (graças a deus!), e outras coisas virão, ou não... hoje escutei que talvez, por ser cientista (?) quero saber a resposta de tudo, e não aceito que algumas coisas simplesmente não têm resposta, ou motivo, ou ordem, ou sentido.
Confesso: é extremamente difícil lidar com isso, em qualquer circunstância, relativo a qualquer coisa. Ainda mais em coisas ligadas ao sentimento...
Mas enfim, quem sabe, aos 36 (chegando), eu tenha um pouco mais de maturidade...!
17 de jan. de 2011
O Nevoeiro (Frank Darabont, EUA, 2007,)

Uma versão do texto seguinte foi publicado na revista Mente e Cérebro de janeiro de 2009. Achei esse posto esquecido desde então. A intenção original era a de publicar o texto depois que saísse na revista, mas acabei deixando de lado. Não queria perder a oportunidade de publicar também aqui no blog. Espero que curtam!
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Construindo o inimigo: “O Nevoeiro” como metáfora para as guerras culturais norte-americanas
O filme O Nevoeiro baseia-se numa história de mesmo nome do autor Stephen King publicada em 1980. King, um dos mais prolíficos e conhecidos autores de horror do mundo, é fonte constante de adaptações cinematográficas; algumas delas já clássicas (como O Iluminado, dirigido por Stanley Kubrick). A história de O Nevoeiro centra-se no medo que emerge das relações humanas. O que acontece quando somos empurrados a situações limítrofes? Como lidamos com nossos conflitos e medos quando nos sentimos “encurralados”? A barbárie, como nos mostra essa história, está latente em todos nós, ainda que coloquemos a culpa nos monstros e outras entidades sobrenaturais que habitam essas histórias.
A história se passa numa pequena cidade do nordeste dos EUA, onde um grupo de pessoas se vê presa num supermercado quando um misterioso nevoeiro cobre a região. Inicialmente assustadas mas tentando raciocinar sobre o que fazer, o grupo é tomado de pânico quando se descobrem estranhas e mortais criaturas habitando o nevoeiro, prontas a matar qualquer pessoa que se aventure para o lado de fora. A partir desse ponto, vemos a exacerbação dos medos e paranóias das pessoas acuadas, abrangendo desde o fanatismo religioso (pronto a explicar os monstros como castigo divino), passando pela busca de apoio no coletivo, até a total falta de perspectivas de salvação. Diante da possibilidade real da morte, face à brutalidade de uma situação totalmente irracional e destrutiva, o ser humano não falha em dar sentidos os mais diversos ao seu contexto, de onde derivam os mais violentos conflitos.
Além desse foco nos meandros da psiquê humana, o filme sugere sutis críticas ao contexto cultural dos EUA recente. A divisão do grupo preso no supermercado, entre religiosos fundamentalistas e aqueles que acreditam numa explicação mais material para os monstros (seriam eles um experimento do governo que deu errado?), sugere a divisão que corrói há anos a própria sociedade norte-americana contemporânea. Uma sociedade cada vez mais dividida em “conservadores” e “liberais”; entre aqueles que buscam restaurar valores cristãos e outros preocupados em restaurar os valores democráticos tidos como fundamentais à sociedade estadunidense; entre apoiadores da ciência e aqueles que querem ensinar o criacionismo (ou o design inteligente) nas escolas; entre aqueles que pensam o mundo atual como envolto numa guerra civilizatória entre o Islam e o cristianismo e aqueles que desejam o fim das guerras e do intervencionismo unilateral dos EUA.
A noção de um inimigo difuso, desconhecido e mortal sugerem assim um comentário sagaz sobre as políticas da administração republicana dos últimos 8 anos nos EUA. No filme, esse grupo é representado pela personagem da Sra. Carmody, uma religiosa fundamentalista que consegue, a partir do medo gerado pelo nevoeiro, liderar um grupo dentro do supermercado, até o ponto de atacar quem não partilhava suas idéias. Como se argumenta, afinal, com explicações metafísicas e sobrenaturais? O diretor sugere que, cegados pelo medo, somos capazes de abandonar ideiais compartilhados de civilização na busca desesperada de salvação. O medo do outro torna-se, assim, uma arma de fácil manipulação em tempos de desconfiança generalizada. A fragilidade da ordem e da civilização torna-se, assim, o monstro mais amedrontador do filme.
Maleta (mini-conto)
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Edifício Maleta, Belo Horizonte. Cervejas chegam sem serem necessariamente pedidas. Garrafas ficam vazias numa velocidade que não consigo acompanhar, não bebo ta
[fim]
Fim de noite (mini-conto)
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Mais um fim de noite. Daqueles que já estavam ficando rotina. Sem aguentar beber como antes, eu vagava de uma festa a uma boite, de um bar a outra boite, paquerando sem muita esperança, tentando em vão manter alguma fração de dignidade, ainda que trabalhasse incessantemente para degradá-la.
Abre parênteses: Não, não sou moralista. Não acredito em celibato, muito menos em parar de beber por completo. O prazer não é errado em si; aqueles que o tratam como pecado, certamente precisam de mais ajuda do que aqueles que o praticam em excesso. Essa tem sido a minha experiência. Meus namoros com o celibato são, no entanto, bem concretos, mas completamente derivados de contingências. Ou seja, secas acontecem, e não temos nenhum controle sobre elas. Fecha parênteses.
Mas voltando ao tema da dignidade: enquanto bebia sem querer estar bebendo, perdia neurônios e discernimento, premisa básica para aquilo que sempre chamei "fazer merda": beijar quem não queria beijar, transar com quem nunca transaria de outra forma, perder horas e horas na caça.
A caça em si é emocionante. A eterna possibilidade, a expectativa de conhecer alguém fantástico (o que pode acontecer), ou mesmo aquela vontade de simplesmente conhecer alguém para trocar fluídos por uns momentos (o que muito provavelmente é o que acontecerá). E foi exatamente o que aconteceu ali, naquela noite, naquela mesma boite em que, em
....
[o conto parou aí, de repente mesmo. O que aconteceu? Com quem esse personagem acabou ficando, se é que ficou? Que besteiras ele acabou fazendo? E por que ficar pregando que o prazer não é errado, se o conto inteiro é um poço de culpa e remorso? Coisas a se pensar...]
Insone
Insônia e escrita andam juntas? No meu caso, elas se adoram. Velha conhecida essa insonia, uma grande amiga, daquelas com quem a gente se irrita sempre, mas acaba mantendo a amizade... Só por que falei para um amigo que tinha sumido do blog, acabei vindo aqui e mexendo nele inteiro.
Por conta desses reajustes, acabei revendo alguns dos posts mais recentes... Um pouco estranho perceber que meu estado de espírito a muito pouco tempo era tão pesado e um tanto quanto instável. Hoje, como as coisas estão mais no lugar, consigo perceber o quão tenso eu estava no ano passado. Espero que esse ano de 2011 seja o ano de recolocar as coisas em algum tipo de equilíbrio! Eu, libriano, que prezo tanto o equilíbrio e nunca consigo de fato alcançá-lo...
...
Esse ano, bem nos primeiros dias, alguma coisa "clicou" de volta ao seu lugar. Algo que tinha saído de rumo lá em 2005 mais ou menos, uma fase um tanto quanto conturbada da minha vida. Que as coisas demorem tanto a se aprumar, sempre me espanta. Será que sou eu, que tenho essa velocidade tão peculiar de trabalhar as minhas questões? Ou será que as coisas realmente não tinham como ser diferentes?
2011, e a vida continua

Primeiro post de 2011... Uma pena eu ter tão pouca inspiração para postar no blog, afinal esse espaço já me deu tanta alegria inesperada, tanta coisa legal já emergiu daqui! Coisas que jamais sonharia que pudessem acontecer. Já desabafei, já criei, já experimentei, até encontrei sonhos de romances delicados, quase impossíveis... A vida continua, e a todo vapor. O trabalho, ainda que eu o ame, me consome. Estou escrevendo mais do que nunca, e ainda assim me faz falta escrever aqui. Meu sonho de infância, de ser escritor, não ficou tão distante da realidade, mas parece que há vários abismos entre o que eu sou hoje e as coisas que sonhei para mim. Não estou reclamando (ainda que eu adore reclamar). É mais uma constatação. Não estou nada infeliz comigo mesmo, mas é interessante notar o quão diferente é a estrada de fato percorrida, quando comparada com as coisas que você sonhava aos 15 anos de idade.
Algumas novidades no blog, graças ao Blogger: coloquei uma barra de pesquisa, e coloquei um gadget que mostra os posts mais populares (isso também foi engraçado: os mais vistos não são nada daquilo que imaginei). Abaixo de cada post, coloquei aqueles botões de share: para colocar no Facebook e outros lugares interessantes. No final da página coloquei o clássico contador de acessos. No mais, o blog continua como sempre. Feliz 2011 aos exíguos leitores que me restam... Amo vocês, quem quer que sejam!
1 de jul. de 2010
O prazer da dúvida

Uma das coisas que sempre me deu uma sensação de segurança a respeito de quem eu era, ou seja, de que eu era eu mesmo, e não outra coisa, e não uma massa desconexa vagando pelo universo, era um pequeno conjunto de certezas que eu carregava (carrego?) comigo desde muito cedo, desde a infância. Não me pergunte desde quando: não tenho boa memória, e algumas dessas certezas emanaram de mim em tempos imemoriais. Quem sabe afinal o que acontece com a nossa cabeça aos 2, 3 anos de idade? Memórias esparsas... Bom, desde que me entendo por gente, um pouco mais adulto, lá pelos 17, venho perdendo muitas dessas certezas. Algumas eu deixei que caíssem da minha mão, pois me tolhiam. Essas, uma vez que sumiam, davam lugar a outras, mais duras e sólidas ainda. Com o passar dos anos, algumas das minhas certezas mais ferrenhas foram se despedaçando. Isso sempre me surpreendeu: a capacidade de coisas aparentemente muito sólidas de se desmancharem com o tempo. Nesse movimento, uma das poucas coisas que permanecem constantes é a incerteza. Mas tenha calma, amigável leitor: não estou aqui fazendo mais uma crônica da meia idade, na qual conseguimos lidar com a incerteza e deixar a vida fluir. Quisera eu conseguir deixar a vida fluir! E quanta pretensão...! A vida flui, independente da minha vontade. Como uma correnteza. Talvez como uma enchente, que periodicamente destrói aquelas casinhas, praças, ruas e outras coisas que construimos para dar sentido ao nosso mundo. Há uma dor associada com isso, como não é difícil de se imaginar. E talvez a coisa boa disso tudo (olha eu tentando construir mais uma casinha ali, no meio do caos) é a possibilidade de recomeçar, que constantemente se coloca. Nunca tive medo de recomeçar do zero, acho eu, e espero não perder essa coragem, mesmo com o peso do tempo.
24 de jan. de 2010
Já é 2010, e O Komentarista não morreu

Caros (exímios) leitores:
Isso é só um recado: eu não morri! Faz muito tempo que não escrevo, mas por excelentes razões. Minha vida mudou muito ultimamente, questões pendentes a anos estão se resolvendo, muita coisa boa aconteceu em dezembro de 2009 e minha vida caminha para uma fase áurea que eu nem imaginava ser possível. Estou explorando mais minha felicidade e deixando fluir esse potencial; estou começando uma jornada de auto-conhecimento, dessa vez com ajuda; estou experimentando uma paz interior inédita. Enfim, tudo isso, mais o trabalho, deixou-se sem nenhum tempo ou inspiração para escrever. Novos leitores apareceram, infelizmente nessa fase esquisita. Mas o fato de que continuo fazendo amigos aqui é um sinal de que a missão desse blog está longe de terminar. Não sei o que essa fase guarda para o blog, mas certamente haverá coisas a escrever. No momento, estou curtindo um resto de (semi)férias que também me deixa sem inspiração... Talvez a ausência de conflitos esvazie minhas energias criativas? Ou talvez elas estejam todas canalizadas para minha escrita acadêmica. Não interessa: venho só dizer que sim, 2010 será o melhor ano da minha vida, e espero compartilhar isso aqui com vocês de alguma forma!
13 de ago. de 2009
Guerra Globo vs. Record
Reportagem da Globo sobre Edir Macedo:
Reportagem da Record ataca as Organizações Globo:
11 de ago. de 2009
De repente, o amor

Reproduzo abaixo uma pequena resenha que fiz do filme De repente, Califórnia (Shelter, USA, 2007), dirigido por Jonah Markowitz. A resenha sairá no próximo número da revista Mente e Cérebro.
O filme De repente, Califórnia foi uma das melhores surpresas que tive no cinema este ano, por diversos motivos. Sem maiores pretensões, a história consegue comover o espectador interessado numa bela história de amor. Zach, um jovem de classe média baixa dos EUA, vive com sua família e ajuda sua irmã que é mãe solteira. Enquanto luta para sobreviver, vive uma inconstante e morna relação com sua namorada. No seu tempo livre, explora seu talento artístico fazendo graffitti urbano e surfa com os amigos.
Ao conhecer Shaun, irmão de um amigo de infância, começa a descobrir um amor verdadeiro, contra seus mais arraigados preconceitos. A dificuldade em perceber seus sentimentos por outro homem são mostrados de forma sutil e sem caricatura: enquanto Shaun é gay assumido, Zach aprende lentamente a aceitar conscientemente algo que ele próprio não acha “normal”. Ao longo do filme, Zach consegue, ao aceitar sua sexualidade transgressora, reecontrar-se com si mesmo e perseguir seus sonhos de frequentar uma escola de artes.
Além de uma história otimista, na qual o amor consegue vencer as barreiras mais intransponíveis, o filme sugere uma singela lição de moral aos opositores dos relacionamentos homoafetivos e àqueles que ainda não suportam a idéia de legalizar as uniões civis e a adoção por tais casais. No filme, a irmã de Zach, claramente pouco talentosa para a maternidade, demonstra pouca preocupação com a idéia de constituir uma família. Além disso, ela espera do irmão que aceite o fardo de criar seu filho para que ela junte-se ao namorado numa viagem ao norte do país para ganhar dinheiro.
Zach, e também o espectador, ficam surpresos quando ela, ao suspeitar da orientação sexual do irmão, rejeita que seu filho, prestes a ser abandonado pela mãe, seja criado por um homossexual! O dilema é claro e bem atual: é mais importante manter intactas as barreiras culturais, institucionais e legais que separam os homossexuais do resto da sociedade, ou devemos avaliar esses casais de forma semelhante a quaisquer outros, especialmente na questão da sua capacidade de criar e manter uma família? O velho debate entre natureza e cultura é recolocado, em novos termos.
O filme supreende por ser um dos poucos filmes lançados comercialmente no qual o personagem homossexual não morre ou é acometido por uma tragédia no final. A lição moral contida na maior parte dos filmes, como bem revela o documentário O celulóide secreto de 1995, é a de que o personagem gay, lésbico ou não-heterossexual é condenado no final por seu “desvio”. Uma das lições que aprende-se nesses filmes, enquanto espectador, é a de que não existe felicidade possível na homossexualidade. Mesmo o enorme sucesso O segredo de Brokeback Mountain, tão apreciado como uma história de amor moderna, não foge ao padrão de punir com a morte o amor impossível.
Felizmente, essa tendência ensaia mudança, em filmes como De repente Califórnia. Sem ilusões, o filme trata com cuidado as dificuldades de aceitação da sexualidade numa sociedade homofóbica e machista; aborda o desejo crescente de homossexuais nos EUA (e ao redor do mundo) de sair da marginalidade e compor famílias; e sugere ao seu público que é possível, sim, encontrar felicidade no abandono do preconceito e na busca dos nossos sonhos, sejam eles quais forem.
3 de ago. de 2009
aos 33, quase 34...
15 de jul. de 2009
Interlúdio: Imagens da renascença portuguesa



Enquanto pesquisava para um artigo sobre representação do corpo, deparei-me com um texto sobre imagens do corpo em Portugal do século 16. Brincando no Google, descobri as inacreditáveis imagens de Francisco de Holanda (ou Francisco D'Olanda, 1517-1585). Publico aqui só para diversão mesmo. Achei as imagens maravilhosas, obscuras e sedutoras. Clique em cada uma para vê-las ampliadas.
Homenagem tardia
Jackson Five; Blame it on the Boogie:
Com Diana Ross; Ease on Down the Road:
Cansaço

Eu estava até disposto a fazer um pouco de "querido diário" e falar da minha canseira atual. Cansado de várias coisas, por vários motivos. Daí bateu uma canseira maior ainda de escrever sobre isso, de revelar essas coisas aqui sem motivo aparente, por mero exibicionismo. Não tiro daqui o tipo de auto análise que eu conseguia (ou assim acreditava) no passado. Adoro escrever, mas não sei se curto exibir minhas entranhas. Quem lê isso aqui há tempos até já viu muito delas, confesso... Mas o point é, cansado. Muito. Não sei o que fazer com esse sentimento, mas enfim, deixo aqui registrado.
14 de jul. de 2009
Atuais de hoje

Fico morrendo de vontade de escrever sobre o que está acontecendo na política, mas é só pensar em começar que desisto... Não que falte assunto: a sucessão de denúncias da imprensa atual, de Sarney à Petrobrás, passando pelos atos secretos e pela "farra das passagens", renderia muitos posts e alimenta, aliás, diversos blogues mais interessantes do que este (com destaque para os blogues dos jornalistas Luís Nassif e Leandro Fortes. Aliás, agradeço sempre ao Berrando por me iniciar na leitura do Nassif.
Uma das coisas que vale a pena comentar é que toda essa briga política confirma algo que escrevi aqui, há algum tempo já, sobre a eleição do Lula. Naquela época, logo quando começou seu 1o governo, pensava que seria um banho de democracia ter um presidente de um grupo político diferente no poder. Poderíamos experimentar formas de democracia inéditas, como ter a mídia criticando e fiscalizando o presidente (e não somente sendo uma espécie de voz oficial); uma oposição que, tendo sido situação por tanto tempo, pudesse aprender a brigar na arena política e não mais resolver tudo por conchavos (mudando um pouco talvez o nosso presidencialismo imperial e nossas leis que abafam qualquer oposição democrática); e poderíamos experimentar viver numa sociedade na qual os conflitos políticos podem ser resolvidos dentro da institucionalidade democrática, e não através de golpes (geralmente de direita) ou guerrilha subversiva (na esquerda).
A situação atual realmente assusta, pela intensidade dos conflitos, que revela a pura inadequação das nossas leis e instituições ao exercício de uma democracia. Um poder legislativo inoperante e corrupto, um poder executivo hipertrofiado, e um judiciário que, no momento atual, incita a instabilidade (apesar de ter sido palco de momentos interessantes quando se pôs a legislar frente à inexistência de um congresso). Mas só assusta por ser o Brasil tão pouco acostumado à democracia. Como sempre digo, o Brasil vive democraticamente há muito pouco tempo, tendo sido colônia, depois império, depois uma república corrupta e inoperante entrecortada por dois períodos autoritários (Vargas e os militares). Somos de fato democráticos apenas desde 1988, e olhe lá. Culturalmente, somos acostumados à hierarquia, ao desmando e à apropriação privada do estado. Não lidamos bem com dissidência nem com liberdade de expressão, muito menos com a diversidade política e social.
A preguiça em escrever (apesar de tão longo post) sobre o dia a dia da política vem da realização, pessimista, de que talvez não estejamos prontos para uma democracia plena, a que se esboça atualmente. Pois é, costumo ser daqueles chatos que fica vendo problema quando tudo parece estar bem. E acho que agora, estamos ótimos: liberdade de opinião, intolerância com a corrupção, brigas políticas que estão revelando acordos ilegais formados há décadas atrás, briga legítima pelo estado dentro da lei. A sucessão de denúncias da imprensa, ainda que determinadas pela politização de certa parcela da mídia (anti-Lula), é excelente por abrir o jogo de diversos grandes esquemas de corrupção que, apesar de serem antigos, nunca foram focados. A visibilidade da corrupção hoje é sintoma de uma maior fiscalização, e não de um aumento da corrupção, como insiste em pensar tanta gente por aí.
Mas a pergunta que fica é: até quando determinados grupos vão assistir a essa democracia plena e assistir à sua hegemonia sendo dilapidada? Será que as camadas mais favorecidas, acostumadas a ganhar sempre, a terem o estado sempre ao seu dispor, estarão dispostas a abrir mão do poder que agora parecem estar perdendo? Será que chegaremos ao ponto de punir pessoas como políticos ou grandes corruptores, sem que isso determine alguma ruptura maior? Não sei. Mas fica aqui meu comentário lacônico, de alguém desanimado com a disposição das elites e de grande parcela da sociedade em lidar com as incertezas e disputas próprias de um regime democrático pleno... Tomara que eu esteja totalmente enganado!
3 de jul. de 2009
Atualizando

Para os que ainda lêem isso aqui (será que ainda tem alguém?), só postando algo para dizer que estou vivo, o blog vive, pelo menos na minha memória... Ando sem condições emocionais para escrever qualquer coisa que seja aqui. Foi uma fase difícil esse início de 2009: dois empregos, pouca grana, muitas mudanças, muita estrada entre Campinas e SP. Como de costume, muitas gripes, dada a minha instabilidade e minha sensação de insegurança. Infelizmente, por essas e muitas outras, deixei de fazer aquilo que mais gosto, ESCREVER. Parece que agora as coisas começam a melhorar: novo emprego, mais estabilidade, possibilidade de subir um pouco na carreira. Continuo desiludido com muita coisa: solteirice eterna, perene, aparentemente sem solução. Não sei, devo ter quebrado alguma coisa nas minhas viagens pros EUA e de volta pro Brasil, e não sei como nem onde mandar consertar. Quem sabe com a estabilidade, a coisa se regenera sozinha. A situação política do país só me deixa cada vez mais triste. Tudo bem, vejo muita coisa positiva acontecendo, mas meu contato recente com blogs políticos e a realização de que não há mais jornais confiáveis (na TV ou impressos) me tirou um prazer que eu tinha, a de acompanhar o noticiário. Agora, parece mais um jogo de detetive, tentando perceber as entrelinhas das posições políticas de cada veículo, de cada jornalista, buscando algum sentido no festival de nonsense da nossa vida pública. Como falei no post passado, o divertido de uns não é o divertido de outros: pensar em política, pra mim, sempre foi prazeiroso, e ando tendo boas conversas com algumas pessoas, mas é tudo muito desgastante. Ou, quem sabe, minha atual fase fechada, enclausurada em mim mesmo,"em-mim-mesmado", me leva a viver nesse mundo paralelo de intrigas políticas via internet... Acabo de ler no Mondo Paura que a Sessão Comodoro ainda está rolando... Que prazer imenso, e pensar que poderia ter ido, mas perdi...! Agora, de volta a São Paulo (será? espero), quem sabe posso retomar esse e outros prazeres que cultivei na minha última fase paulistana. Nossa, de repente, voltando a escrever aqui, um jorrar de lembranças, de outras fases desse blog. A ida aos EUA foi um grande hiato, uma pausa em tanta coisa, ainda que tenha sido um fast forward na minha vida profissional. Será que valeu o preço? Não sei, ainda estou pagando. Olhando para trás, tendo a pensar que foi exagerado o custo emocional da coisa toda. Porém... foi por causa dessa viagem que estou aqui de novo, com um bom emprego (ainda que temporário) e chances de bons empregos fixos... Difícil medir e calcular essas coisas. Bom, ainda bem que, depois de meses e meses, consegui fazer algo que antes fazia com muito mais desenvoltura: pensar sobre mim mesmo, rever coisas, tentar estabelecer algum diálogo com o universo. Fica aqui meu desejo que este seja um novo começo, de algo muito melhor.
21 de fev. de 2009
Mais notas de carnaval
19 de fev. de 2009
E a luta continua...
Enquanto isso, no país do Carnaval... é Carnaval!! Fazer o quê, né?
