Especulações livres
5 de nov. de 2006
Tortura a la americana
22 de out. de 2006
Cansei de ser sexy

Faz pouco tempo que estou aqui, e tive a chance de ver uma banda que tenho achado legal desde que ouvi o som pela internet. Sinceramente, esse tipo de programa eu nao faria caso estivesse no Brasil (ou melhor, dificilmente faria). Afinal, nao sou do tipo que fica pesquisando sons e bandas, e raramente me animo a ir a qualquer show (excessao feita Stereolab, nao me lembro o ano; e ao Daft Punk, que perdi por nao estar em Sampa). CSS, pelo que parece, tem um certo publico gringo que ja conhece o som, e que gritava desesperadamente a cada musica; em constraste com o desanimo da maioria do povo, algo aparentemente normal em qualquer situacao de socializacao ou balada por aqui. Eu estava empolgado em ver uma banda brasileira nos EUA, poder conferir se o som e bom ao vivo mesmo ou se a coisa era somente hype de internet, e poder fazer um programa diferente de ir pro campus e me enfiar em leituras e no computador.
Em resumo, adorei o show. A vocalista segura a onda muito bem, tem carisma, e levanta o publico o tempo todo. Preferi o baterista do que as outras meninas, mas aquela profusao de guitarras e baixos deve ter alguma logica no resultado final que eu nao saberia explicar ou entender agora. Adoro Let's make love and listen death from above (link abaixo), e A la la, minhas favoritas desde antes de ver o show.
Momentos engracados foram quando, enquanto esperavamos o show comecar, o Dj colocou "Eu so quero e ser feliz, viver tranquilamente na favela onde eu nasci..." e alguma musica de forro tirado de algum CD de drag, tipo Silvetty Montilla, que deixou o publico absolutamente confuso e eu rindo muito da bizarrice da situacao, de ouvir aquilo naquele momento. Saldo final da experiencia: vai ser dificil conseguir amigos e socializar com as pessoas aqui, cujos codigos eu ainda to longe de entender. Afinal, como se faz amizade quanto ta todo mundo fazendo cara de blase e parado, ou conversando em rodinhas? Enfim, isso e apenas o comeco...
19 de out. de 2006
31, ou Cronicas texanas numero 0
4 de out. de 2006
1989
Músicas dessa época, portanto, carregam sempre uma certa carga negativa. Legião Urbana, Pet Shop Boys, The Cure, The Smiths, Rita Lee, Barão Vermelho... Músicas que, para tanta gente, marcou uma época de descobertas, de amores, de felicidades, para mim marcava uma certa incapacidade de sair da concha. Ainda que frequentar a noite Grind (A Lôca, SP) e ter namorado algumas pessoas fãs de grupos dessa época tenha mudado algumas referências, é claro que a melancolia adolescente prevalece como mais marcante. Algumas referências boas ficaram, no entanto, e permanecem até hoje. Uma das primeiras foi a Dance Music. Pump up the Jam foi um marco para muita gente que estava na noite nessa época, ainda que nas matinês. Eu ficava em casa, com vergonha de sair, mas dançava muito sozinho no meu quarto. Quando a música abaixo foi lançada então, eu tive aqueles momentos raros de revelação: havia visto algo maravilhoso e realmente bom.
Não é preciso comentar muito: a música é um clássico indiscutível das pistas. E ainda não é retrô.
Outra coisa que os anos 1980 nos deixaram é o legado do Hip Hop, ou Rap. O clipe abaixo, do Public Enemy, é um dos pontos altos desse primeiro impulso do rap nos EUA.
Era politizado, contestador, e o ritmo (para quem gosta) é irresistível. Essa vertente de rap, a meu ver, ainda não foi superada; hoje em dia, hip hop americano é o nicho dominante do mercado: rappers mostrando dinheiro, diamantes e muita bunda. Esse rap dos anos 1980, no entanto, era musicalmente legal, e politizado (como os Racionais são hoje em dia no Brasil, ou MV Bill).
Até onde eu sei, esse pessoal do rap inventou a nossa cultura dos samplers, e o fazia com uma maestria sem igual. Não sou nenhum especialista em cultura de massas, mas sei por experiência própria que o rap, hoje tão massificado, nessa época era motivo de certo escândalo. Letras explícitas, incitação à violência, críticas ao governo e à violência policial e o próprio escândalo de artistas negros terem sucesso junto a um público branco, num país racista como os EUA. Diferente do Brasil, né minha gente, que aceita a contestação cultural muito melhor (SIC). A demonização do hip hop e do funk no Brasil, hoje, soam familiares ao que ocorria com o rap nessa época.
Mas só fui ter a minha perestroika pessoal nos anos 1990, que para mim são a verdadeira época de ouro. Até por isso eu curto tanto música eletrônica, com aquela nostalgia gostosa que alguns da minha idade sentem com músicas típicas dos anos 80. Para mim, o 1989, bicentenário da Revolução Francesa e ano em que o muro de Berlim caiu, meramente anunciou o começo das coisas boas na minha vida.