Especulações livres

20 de jun de 2006

Concretudes

Relendo o meu último post e pensando sobre os comentários, ponho-me a pensar. Além de rever todo um período recente da minha vidinha medíocre, começo a achar que estou mudando de ciclo. Penso nos dias e dias vazios que eu tinha em São Paulo, sem ter muito com quem conversar, querendo tanto contato humano, sem ter nenhum "lugar", procurando o que fazer com meu excesso de tempo livre e reclamando disso. Hoje agradeço algumas horas do dia sem ver ninguém, sem conversar com ninguém, sem falar um pouco. Eu pedia para os deuses que me dessem trabalho, pois nada era pior do que ficar sem fazer nada e não ter dinheiro nem perspectiva. Hoje eu só peço a eles um pouco de férias! Não estou reclamando das mudanças, só pensando alto mesmo. Penso como a gente paga a língua em tantas coisas. Esse "pagar a língua", na verdade, pode ser somente a tomada de consciência de uma burrice ou ingenuidade passada, mas continua assim um certo choque. Este blog, em retrospecto, é expressão (como sempre é, em qualquer blog) de um certo período da minha vida. Pesado, denso, complexo, especulativo, sonhador, pessimista, iludido, solitário. Tudo isso são expressões minhas, e de tantas outras pessoas, mas com certeza não exprimem as coisas que vivo hoje. Hoje é a concretude que marca as minhas coisas, as responsabilidades, as lutas concretas por espaço, etc. O engraçado é perceber o quanto eu me protegia do mundo há uns meses atrás, evitando sair, namorar, conhecer pessoas. Hoje, que tenho muito menos tempo e energia, me deixo levar pelo mundo com enorme facilidade. Curtir coisas sem hora para voltar para casa, por exemplo, é sempre algo complicado para nós CDFs, mas hoje consigo ver um certo valor nisso. Engraçado como depois de uns beijos, uma conversa aberta, consigo me ver de novo como uma pessoa sexuada. Apesar da barriga, dos cabelos brancos e das rugas novas. Não, caro leitor, não estou fazendo um daqueles textos "a gente só valoriza o que tinha quando perde", não é isso! Seria mais um texto tentando dizer, mal e porcamente, que hoje sinto que tenho algum tipo de lugar no mundo, coisa que busco há décadas. Claro que eu sempre tive algum lugar, mas ficava sempre difícil me ver encaixado no mundo. Culpa, talvez, da astrologia: excesso de planetas em signos do elemento ar? Excesso de intelectualidade? Falta de conexão com o mundo concreto? Vai saber...! Cortando em míudos, ultimamente estou mais é com vontade de conhecer alguém que me valorize não somente por causa daquilo que eu falo e penso; ou seja, alguém que me trate um pouco como carne, que perceba o quanto eu sou corpo (e não só mente) e que me ajude a descer um pouco das nuvens, por que lá tá muito chato!

3 comentários:

Nikita disse...

E eu peço a Deus um emprego...não estudei cinco anos pra ficar desempregada...snif!

berrando disse...

eu ia falar no post passado que vc poderia ser tudo, menos um fracassado. agora eu digo que sua vida pode ser tudo, menos medíocre. (e pára de falar antropologês! "alguém que me trate como carne, que perceba o quanto sou corpo" :p)

Homossexual e Pai disse...

Markus! Eu acho que tb passei por estas duas fases, cheio de gente por perto sem ter com quem conversar e cheiro de gente por perto e não querer conversar com ninguem! QUe bom qwue vc percebeu aestas fases e se sente pronto para outros momentos!
abraços!

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